sexta-feira, 11 de maio de 2018

Poesias de Antero de Quental

Interpretar o mundo, entendê-lo, parece ter sido obsessão do poeta, e sabemos que o procurou fazer apoiando-se nas leituras de Hegel e de outros filósofos moralistas. Para este autor as coisas terrenas, e entre elas o próprio homem, têm de ter uma razão de ser. Lê o soneto e escuta-o na voz da atriz portuguesa Maria do Céu Guerra.

Na Mão de Deus

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental, in "Sonetos"

Este é o 21.º livro da coleção Textos Literários!


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